domingo, 1 de abril de 2012

ipês amarelos



Memórias, restos, passagens. A cidade nos habita, a cidade modifica. Mapas infinitos, redesenhados. Outras imagens, que se sobrepõem às anteriores, que trepam com as posteriores, que amam as subseqüentes. Somos peças de andaime confundindo os contornos e os traços. Há um deserto formado por vias expressas, monumentos brancos e ipês amarelos. A velocidade diminui a superfície de contato. Sou extrato desse cimento que modifica e empedra os pedaços de alma.

Engarrafada, enfeitada de luzes, a cidade veste seu colar de brilhantes. A fumaça dança sobre o meu corpo costurado. Aperto um, dois, três...fogo! Há apenas uma fila muda. Os sinais alternam suas cores e alimentam os penosos pardais. Eles medem os passos, sugam o desejo e tiram fotografias. Todas essas setas confundem os meus caminhos. E encaminho as minhas dores por email. Cadê você que não responde minhas letras?

Carros parados, ônibus lotados e pés descalços. A chuva benze todas as peles secas. Da poeta marginal ao engravatado. Os urbanóides procriam expectativas, agarram ilusões e insistem em misturar água e óleo. Meus vôos exigem pousos. Não posso caminhar nesse asfalto quente. Preciso que algo me impulsione para longe do eixo.

texto de Patrícia Del Rey no livro Entreaberta. 

Galeria Urbana no Espaço Cena



obras na 205 norte

domingo, 25 de março de 2012



“Os sentidos, na obra dos artistas contemporâneos, não estão prontos, mas se configuram no acontecimento, isto é, na construção das múltiplas relações que acontecem entre a obra e o observador.” 


Katia Canton

domingo, 18 de março de 2012

Transverso no Rio de Janeiro


Transverso no Rio. http://oglobo.globo.com/rio/ancelmo/posts/2012/02/11/a-foto-de-hoje-431113.asp

Público e Privado


"O que é espaço público? E privado? Na contemporaneidade, esses dois conceitos parecem se interceptar o tempo todo. A ideia de privacidade, por um lado, se esgota num mundo em que todas as informações se mostram disponíveis ao público. A partir de 1991, com a proliferação de revistas e de mídias como Caras, Gente e Quem e programas televisivos como Big Brother e a Fazenda, entre outros, há mais imagens em que a intimidade é colocada a público.

O espaço que seria público - parques, praças, igrejas - se fecha cada vez mais perante a ameaça da violência potencial. Seu uso abandonado pelo medo ou deixado a deriva, à sombra da solidão urbana. O lugar público, que seria o lugar de todos, passa ao status de lugar de ninguém. É abandonado, maltratado, sujado, ignorado, sucateado. 

O desejo dos artistas contemporâneos de dialogar com os espaços públicos da cidade como forma de expandir suas poéticas fica cada vez mais ameaçado e torna-se um contraponto à ameaça da violência, ao medo, ao isolamento proposto por uma arquitetura de muros, grades e vigilâncias. O grafite é um dos modos mais eficientes encontrados por alguns artistas para furar esse paradigma.  

A origem histórica do grafite remonta à história do ser humano, já que existem registros de sua cultura nas paredes das cavernas e na civilização egípcia. Essa inscrição no espaço público acompanha a própria história da arte.

O grafite propõe, acima de tudo, uma experiencia de estética e fluidez, por ser a arte do movimento, que se modifica junto com dia a dia da cidade"

trecho retirado do livro Espaço e Lugar, de Katia Canton.

domingo, 4 de dezembro de 2011

Intervenções do Coletivo Transverso para o I Encontro Transarte - A arte como reflexão das temáticas dos corpos.


O I Encontro Transarte ocorreu na Universidade de Brasília, promovido pela Diretoria de Esporte, Arte e Cultura - DEA, nos dias 25, 26 e 27 de novembro de 2011, com manifestações artísticas provenientes das Artes Cênicas, Artes Visuais, Música, Performances e Literatura.

A proposta do Coletivo Transverso foi incitar a reflexão sobre a multiplicidade dos focos de identidade presentes (ou possíveis) na sociedade diante da opressão de uma estética normativa socialmente difundida pela grande mídia.


Realizamos ao todo 8 intervenções,  em que procuramos problematizar, de forma plástica e poética, utilizando as técnicas de stencil e adesivagem, temas como o aborto, a diversidade sexual e a liberdade individual de decidir sobre os usos e finalidades do próprio corpo.

Agradecemos imensamente aos colaboradores das nossas oficinas, que participaram das discussões, da composição das obras e botaram as latinhas pra berrar.


Coletivo Transverso
Texto e concepção: Cauê Maia, Patrícia Bagniewski e Patrícia Del Rey.
Fotos e edição: Mayara Domingues.
Trilha sonora: Pio Lobato "Café imaginário".

Em breve mais fotos do Encontro...